terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um balanço preliminar do Governo Lula: a grande mudança medida pelos números

Um balanço preliminar do Governo Lula: a grande mudança medida pelos números






Qualquer avaliação isenta de um governo específico, ainda que tentativa, deve partir de dados objetivos e concretos sobre o desempenho administrativo desse governo num determinado período de tempo, normalmente o seu mandato constitucional. O governo do presidente Lula, por exemplo, deveria apenas ser avaliado a partir da herança recebida, em 1º de janeiro de 2003, de seu antecessor e com base no legado que pretende deixar, em 31 de dezembro de 2006, a seu sucessor, ainda que este possa ser ele mesmo, eventualmente reeleito, tal como facultado pela Constituição. A prudência recomendaria, portanto, que uma avaliação honesta e completa de seu desempenho no cargo seja feita apenas dentro de aproximadamente doze meses, em fevereiro ou março de 2007, quando todos os dados de 2006 estiverem disponíveis.



Considerando-se, porém, que o governo atual iniciou seu mandato prometendo grandes mudanças no cenário brasileiro – conforme o discurso inaugural do presidente Luis Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2003 – e que este ano promete ser ocupado, mais cedo do que o previsto, pela campanha presidencial para o mandato de 2007-2010 – além do fato de que, não só o período eleitoral, mas todo o ano de 2006 pode ser marcado por comparações entre esta administração e a anterior –, talvez seja justificado um balanço preliminar deste governo. O intuito é tanto mais legítimo quando se observa que diversas peças de propaganda do atual governo têm como objetivo, justamente, a comparação não apenas com o mandato imediatamente anterior, mas com os oito anos da gestão FHC. A finalidade é geralmente triunfalista, pretendendo demonstrar como este governo realizou muito mais do que o precedente, nos mais diversos campos da economia e das políticas setoriais, em especial nas de cunho social.



Tem em vista esses dados da realidade presente, pode ser apropriado tentar uma avaliação preliminar dos resultados alcançados pelo atual governo, mesmo de modo não explicitamente comparatista. Tentarei fazê-lo de modo objetivo, alinhando os pontos positivos e os eventuais pontos negativos nos diversos aspectos da vida nacional e internacional, ou melhor, nos cenários doméstico e externo que interagem com a economia e os demais setores da conjuntura brasileira. Para fazê-lo, nada melhor do que começar com alguns números objetivos, como estes que são abaixo apresentados.


Indicadores selecionados da economia brasileira, 2002-2007


2002

2003

2004

2005

2006 1

2007 2



Dados básicos da economia

PIB nominal (US$ bilhões)

460

507

603

794

925

932



Crescimento real do PIB %

1,9

0,5

4,9

2,3

3,0

3,0



Cresc. PIB agropecuário %

5,5

4,5

5,3

0,8

4,5

3,0



Cresc. PIB industrial %

2,6

0,1

6,2

2,5

4,5

3,0



Cresc. PIB serviços %

1,6

0,6

3,3

2,0

2,2

2,7



Inflação IPCA-IBGE

12,5

9,3

7,6

5,7

4,2

4,2



Inflação IGP-DI FGV

26,4

7,7

12,1

1,5

4,8

4,8



Juros básicos em dezembro

25,0

16,5

17,8

18,0

14,5

13,0



Juros básicos – média anual

19,2

23,3

16,4

19,1

15,4

13,7



Desemprego (% da PEA)

11,7

12,3

11,5

9,8

9,3

8,9



Preço cesta básica (%) 3

31,7

3,0

1,3

-2,4

--

--



Receitas de impostos (bi. R$)

243,0

273,4

322,6

364,1

--

--



Despesas governo (bi. R$)

232,2

257,1

302,7

351,9

--

--



Déficit Previdência (%PIB)

1,26

1,70

1,81

1,93

--

--



Dívida pública (bilhões R$)

623,2

731,4

810,3

979,7

--

--



Dívida pública 4 (% PIB)

55,5

57,2

51,7

51,4

50,0

48,6



Juros sobre dívida púb. (bi R$)

148,9

165,4

137,0

157,1

--

--



Pagamento Juros (% PIB)

8,47

9,33

7,26

8,13

--

--



Superávit primário (% PIB)

3,89

4,25

4,59

4,84

4,40

4,40



Déficit nominal (% PIB)

4,58

5,08

2,67

3,29

--

--



Investimentos públicos (% PIB)

0,91

0,34

0,51

0,53

--

--



Setor externo



Taxa de câmbio dezembro

3,53

2,89

2,65

2,20

2,30

2,50



Taxa de câmbio média no ano

2,93

3,07

2,93

2,43

2,25

2,40



Exportações bens (US$ bilhões)

60,4

73,1

96,5

118,3

124

126,5



Importações bens (US$ bilhões)

47,2

48,3

62,8

73,5

85

95,5



Saldo balança comercial

13,2

24,8

33,7

44,7

39

31



Transações correntes (% PIB)

-1,7

0.8

1,9

1,8

1,6

0,2



Investim. Direto Estr. (US$ bi)

16,6

10,1

18,2

15,2

15,5

15,9



Dívida externa (% do PIB)

45,9

42,4

33,3

22,8

17,9

16,1



Dív. Externa/Export. bens (%)

349

294,1

208,7

153,7

133,8

118,7



Reservas int. brutas (US$ bilh.)

37,8

49,3

52,9

68,7

81,7

87,1



Reservas int. líquidas (US$ bilh)

16,3

20,5

27,5

54,9

74,4

86,4



Fontes: IBGE, Banco Central, IPEA; estimativas e previsões de consultorias diversas.



Notas: 1 = alguns dados de 2006 ainda são estimativas; 2 = previsões ; 3 = variação do preço da cesta básica em relação ao ano anterior; 4 = dívida líquida do setor público;.









Bem sei que para efeitos de comparação com o governo anterior, ainda que este não seja meu objetivo imediato, o ano de 2002 não é a melhor opção para tal, uma vez que os principais indicadores macroeconômicos e setoriais, sobretudo os da frente externa, vieram contaminados pela natural exacerbação do período eleitoral, tanto mais importante, em 2002, que a mensagem política veiculada pelo PT era a de uma “ruptura” com todos os postulados que tinham guiado o governo anterior, supostamente “neoliberal” em economia e, como tal, complacente com o “capital financeiro internacional”. Não surpreendeu, assim, que os principais indicadores externos tenham conhecido uma deterioração sensível ao longo daquele ano, sobretudo aqueles relativos ao câmbio e ao chamado “risco Brasil” – diferencial de juros em relação às melhores taxas dos mercados externos –, que ascendeu a níveis jamais vistos em períodos anteriores (próximos de 24 pontos, em outubro de 2002, para menos de 10% desse valor atualmente).



O que em todo caso se depreende do quadro de dados oficiais (e algumas estimativas) são três realidades nítidas: (a) a primeira é que a economia brasileira vem conhecendo taxas de crescimento bastante modestas nos últimos anos, inferiores às médias históricas conhecidas em fases precedentes; (b) a segunda, mais preocupante, é uma contínua deterioração da situação fiscal, ainda que o superávit primário tenha podido conter os níveis dos déficits nominais; (c) a terceira, bem mais feliz, é que a situação das contas externas conheceu uma melhoria sensível ao longo dos últimos três anos, a ponto de se poder dizer que o Brasil rompeu, finalmente, com a sua famosa “vulnerabilidade externa”.



Nenhuma dessas situações pode ser imputada exclusivamente ao governo atual, ainda que ele tenha atuado decisivamente no terceiro fator – ainda assim beneficiado por políticas que tinham sido implementadas alguns anos antes – e tenha sido excessivamente leniente com o aumento contínuo dos gastos públicos, responsável pela deterioração da situação fiscal. Quanto ao baixo crescimento da economia, ele reproduz o padrão dos últimos 10 anos (2,5% ao ano), quando o Brasil enfrentou vários desequilíbrios externos, viu o recrudescimento inflacionário no plano interno e não vem sabendo enfrentar, desde a aprovação da Constituição de 1988, a pressão fiscal que redunda do aumento progressivo dos gastos públicos, seguida da expansão da carga tributária, que reduz, justamente, o volume de investimentos necessários à sustentação de uma taxa mais elevada de crescimento. Em todo caso, os resultados obtidos nos três primeiros anos do Governo Lula reproduzem exatamente a taxa média de crescimento registrado no primeiro mandato de quatro anos (1995-1998) de FHC, ou seja, uma taxa média de 2,6% ao ano.



No plano da política econômica, justamente, o governo Lula conseguiu manter um padrão de comportamento cauteloso, que seguiu, basicamente, o estilo e o conteúdo herdados do governo anterior, feitos de busca de estabilidade no plano monetário – com concessão de autonomia de fato à autoridade monetária –, manutenção da responsabilidade fiscal, preservação das políticas de metas de inflação e de superávit primário, adesão plena ao regime de flutuação cambial e um bom diálogo com entidades financeiras internacionais, multilaterais ou privadas. Esse aspecto merece ser enfatizado, ainda que seja o que mais críticas despertou na base de apoio do partido no governo por, justamente, discrepar das propostas de política econômica por ela preconizadas.



Os bons resultados obtidos na frente externa e na condução da política macroeconômica não permitem, contudo, ignorar o problema das contas públicas, assim como as dificuldades ainda manifestas para o crescimento da economia como um todo, tendo em vista o péssimo ambiente de negócios prevalecente no Brasil. A despeito do caráter errático de alguns indicadores compilados, um dado é eloqüente na tabela apresentada acima: o contínuo aumento do déficit da previdência. Em 1995, as despesas totais da previdência no Brasil representavam 5% do PIB; em 2005, o governo deve gastar 7,5% do PIB com os benefícios do INSS, com previsão de maiores aumentos nos anos à frente. A reforma efetuada em 2003, e implementada canhestramente depois de manobras congressuais, apenas reduziu o ritmo do aumento do déficit previdenciário, o que é extremamente preocupante do ponto de vista das gerações futuras. O governo, aparentemente, desistiu de aprofundar a reforma do sistema, o que se revela absolutamente necessário para evitar o colapso de seu funcionamento ou simplesmente para impedir que o aumento de gastos incida sobre os níveis já elevados de déficits setoriais com o conseqüente aumento da dívida pública.



No plano mais geral das contas públicas, as despesas do governo vêm crescendo de modo contínuo: entre 1999 e 2005, desconsiderando-se o pagamento de juros, as despesas do governo cresceram a uma média de 18,3% ao ano, saltando de 15,85% do PIB para mais de 18% em 2005. Nos dez anos que vão de 1995 a 2005, as despesas do governo federal cresceram 77% acima da inflação: em média, houve uma expansão real anual de 5,8%, bem maior do que o crescimento do PIB, que foi de 2,5%. Nos três anos do governo Lula, a média de aumento de gastos públicos correntes foi de 6,23% acima da inflação. A despeito de tentativas generosas de aumento real do salário mínimo, não se pode esquecer que esse tipo de medida, ademais de possuir um viés regressivo – ao beneficiar antes os mais velhos do que os jovens – também provoca novas despesas, gerando, portanto, aumento do déficit público.



Ao mesmo tempo em que as despesas correntes cresceram, os investimentos produtivos diminuíram significativamente, sobretudo aqueles a cargo do setor público (basicamente em infra-estrutura, saúde e educação). Os investimentos públicos nos dez anos que vão de 1995 a 2005 caíram de 0,6 para 0,5% do PIB, depois de ter alcançado, 0,9, 1,2 e 0,8% do PIB em 2000-2002. Existem indicadores de que eles podem estar diminuindo ainda mais na presente fase. Esse dado é extremamente preocupante, na medida em que a falta de investimentos públicos nessas áreas impacta negativamente as possibilidades de crescimento nos anos à frente.



Como poderíamos resumir, agora do ponto de vista qualitativo, o desempenho do governo Lula, enfatizando pontos positivos e negativos? Tentarei fazê-lo com a ajuda do quadro abaixo.







Balanço de um Governo: avaliação qualitativa de três anos de administração Lula



Pontos positivos

Pontos Negativos



Estabilidade macroeconômica;

Crescimento lento e instável;



Moderado aumento do custo de vida, com tendências declinantes graças ao regime de metas de inflação;

Setores ainda oligopolizados e tarifas públicas pressionam o preços e aumentam as despesas dos consumidores;



Contas fiscais ajustadas ou quase; tentativa (frustrada) da área econômica de fixar um superávit primário mais elevado;

Diferentes focos de pressão por novos gastos, sobretudo previdenciários e salários do funcionalismo;



Dinamismo exportador, saldos comerciais crescentes, a despeito da não concretização de acordos comerciais relevantes;

Câmbio excessivamente valorizado, baixo comprometimento com novos acordos de liberalização;



Retomada de investimentos produtivos em algumas áreas da economia;

Baixa poupança e manutenção de níveis irrisórios de investimento público;



Atração de investimento estrangeiro em alguns setores selecionados;

Obstáculos significativos à instalação de novos negócios; ambiente burocratizado;



Tentativas iniciais de reforma sindical e trabalhista, não levadas adiante em virtude da própria base sindical do governo;

Diminuição moderada do desemprego, aumento da informalidade e da precariedade laboral;



Manutenção das regras do jogo no ambiente empresarial e financeiro;

Temores remanescentes inviabilizaram maiores níveis de investimento privado;



Modernização produtiva de algumas grandes empresas e internacionalização de grandes e médias empresas brasileiras;

Burocracia e regulacionismo excessivos para a criação e o fechamento de empresas; ambiente negativo para os negócios;



Aumento do gasto social, sobretudo no Bolsa Família, a partir da unificação dos programas anteriores;

Esquemas assistencialistas não incidem sobre a capacitação de mão-de-obra e não aferem condicionalidades (saúde e escola);



Esforço sincero para elevação do salário mínimo, mesmo ao custo da previdência;

Concentração de renda e riqueza mantidas inalteradas; falta de foco na infância;



Tentativa de reforma administrativa, embora centrada no Estado;

Mau funcionamento do Estado, criação de estatais, ineficiências administrativas;



Políticas de inclusão de grupos sociais subalternos ou minoritários;

Tentativas de enquadramento de atividades culturais e jornalísticas;



Ativismo na frente externa, com política centrada no relacionamento com o Sul e na integração regional sul-americana;

Falta de meios efetivos à disposição das políticas pretendidas; retórica ainda supera as realizações efetivas.



Fonte: Elaboração do autor.









Excluo totalmente desta avaliação qualitativa os inúmeros problemas surgidos em 2005 nas frentes parlamentar e partidária, em torno do chamado problema do “mensalão” (obviamente um quadro bem mais amplo do que a prosaica atração de apoio congressual com base em repasse de “recursos não contabilizados” pelo principal partido nacional). Uma avaliação poderia apontar um julgamento amplamente negativo, mas qualquer análise nessa área pode ser considerada como subjetiva ou precipitada, uma vez que não se encontram, ainda, concluídos vários processos de investigação e de responsabilização, em curso nos planos do Judiciário e do Congresso, que podem resultar em penalização criminal e política dos envolvidos. Caberia apontar, em todo caso, elementos amplamente reportados na imprensa, relativos ao loteamento de cargos públicos segundo critérios mais políticos e partidários do que de mérito e de capacitação funcional, do que resultou a intrusão partidária na administração pública, à desestruturação do quadro partidário no Congresso – com intensa troca de titulares de mandatos parlamentares entre algumas legendas, aparentemente por estímulo do partido dominante –, assim como a percepção de um aumento em práticas corruptas registradas concretamente no Congresso e em alguns setores da administração.



Obviamente, a corrupção na administração pública e a necessidade de manobras pouco virtuosas para se assegurar uma base de apoio parlamentar não nasceram – nem vão terminar – neste governo, mas pode-se em especial atentar para o fato de que foi neste governo que o fator político envolvido nas relações “partido-Estado” ganhou novos contornos, que não tinham sido, ainda, conhecidos na esfera da administração pública federal. Uma avaliação ponderada a este respeito terá de ser conduzida mais adiante, quando ficarem estabelecidas responsabilidades por práticas nefastas do ponto de vista da boa administração pública. Evidencia-se, em todo caso, a necessidade de profunda reforma política, tendo em vista o quadro amplamente disseminado de práticas “heterodoxas” em quase todos os partidos e no Congresso de modo geral.



Mais preocupante, do ponto de vista das possibilidades de retomada do crescimento e da distribuição de seus frutos entre a população brasileira, parece ser o estancamento do aumento da produtividade. Depois de crescer continuamente entre 1999 e 2002, à razão de 4,4% ao ano, a produtividade da economia brasileira parou de crescer, tendo sido, entre 2003 e 2005, de apenas 0,4% ao ano. Dados anteriores mostram que a produtividade na economia brasileira cresceu de forma acelerada no início da década de 90, sobretudo em virtude da abertura econômica, teve outro bom desempenho no período pós-99, para estancar a partir de 2003. No total, entre 1992 e 2005, o crescimento médio da produtividade foi de 2,7% ao ano.



Como sabem os especialistas, a produtividade total de fatores é o principal elemento de crescimento e de transformação estrutural numa economia. No caso do Brasil, ela cresceu de forma acelerada no início dos 90, que coincidiu com amplas reformas econômicas, mas vem declinando desde então. Entre outros elementos responsáveis, podem ser apontados o alto custo do investimento no Brasil, a ausência de reformas microeconômicas e o ambiente regulatório menos favorável, para não dizer francamente negativo, à condução dos negócios.



Por fim, não seria preciso retomar aqui a situação amplamente conhecida do aumento da carga fiscal no país, que constitui hoje um dos principais entraves a um processo sustentado de retomada do crescimento. Como se sabe, o governo retira, atualmente, 37% de tudo o que se produz no país e, claramente, não retribui com serviços de qualidade. Essa carga fiscal deveria, portanto, ser acrescida de todos os encargos suportados em bases privadas pelos consumidores e contribuintes para se chegar aos números reais da “exação fiscal”, provavelmente mais próximos de 50% dos rendimentos correntes. O aumento da tributação tem sido contínuo no Brasil, desde a aprovação da atual Constituição, com inúmeros reflexos negativos para o desempenho do setor privado da economia, o único capaz de prover o Estado de recursos para fins de políticas setoriais e distributivas. O que ocorre, obviamente, é que a própria máquina do Estado vem consumindo recursos em quantidade crescente, penalizando de forma conseqüente – e altamente negativa – os investimentos produtivos. Aparentemente, o governo Lula não se dispôs ainda a enfrentar esse problema, talvez porque filosoficamente acredite nas virtudes “distributivas” do Estado.



Este aspecto constitui, provavelmente, o mais grave problema da atualidade brasileira, que teria de ser equacionado se a sociedade pretende voltar a conhecer taxas mais expressivas de crescimento com distribuição de seus frutos. Junto com uma avaliação mais minuciosa dos efeitos reais das políticas sociais do atual governo, ele constitui o elemento central de qualquer avaliação de desempenho que se pretenda fazer do governo Lula a partir de janeiro de 2007. Ao concluir, portanto, este primeiro levantamento e avaliação preliminar do governo Lula, pretendo marcar rendez-vous com alguns leitores dentro de aproximadamente um ano, para o levantamento completo da presente administração.

Evolução das políticas sociais e redução da pobreza

Evolução das políticas sociais e redução da pobreza



Publicação do Ipea relata evolução das políticas sociais e redução da pobreza

 

Durante os primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quase 10 milhões de brasileiros ultrapassaram a linha de pobreza e mais de sete milhões deixaram a situação de indigência. Em 2003, 64 milhões de pessoas (37,2% da população) tinham renda inferior a meio salário mínimo. Este número caiu para 53,9 milhões, em 2005, o que passou a representar 30,1%. O contingente dos que vivem na extrema pobreza (abaixo de 25% do salário mínimo) reduziu, no mesmo período, de 27,5 milhões para 20,3 milhões. Com isso, o índice diminuiu de 16,1% para 11,3%.




“O crescimento das políticas de transferência de renda e a elevação do salário mínimo, com impacto também nos valores dos benefícios previdenciários e assistenciais, contribuíram decisivamente para a queda desses índices.” Os dados e a explicação para a redução da pobreza no Brasil estão na edição especial do Boletim Políticas Sociais, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cujo conteúdo será debatido em seminário que a instituição promove neste mês de maio. A publicação analisa o período de 1995 a 2005, e um dos seus capítulos é a Assistência Social e Segurança Alimentar.


Os autores dedicaram significativo espaço da publicação para mostrar a evolução das políticas sociais no Brasil, abordando legislações, descontinuidade de ações e consolidação dos programas. “O campo da Assistência Social era marcado pelo paralelismo de ações e pela dispersão de responsabilidade entre diversas instâncias da máquina pública. Nas décadas de 90 e 2000, houve sucessivos esforços institucionais no sentido de integrar as ações, o que foi de fato efetivado em 2004, com a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)”, relata o estudo.


De acordo com o texto, até a década de 90, a Assistência Social desenvolveu-se com o predomínio do setor privado, responsável pelos serviços, contando com a participação do setor público, no financiamento via subsídios e transferências de recursos. “No Brasil, a Assistência Social nasce identificada à filantropia e à benemerência, entendidas como todo tipo de ajuda em direção aos pobres”, descrevem os autores.


COMBATE À FOME


O texto ressalta a importância da aprovação da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), em 1993, mas observa, no período seguinte, indefinições em relação à implementação do novo papel do Estado na Assistência Social. Somente em 2003, segundo o estudo, o debate sobre a responsabilidade do setor público é retomado, tendo em seu ponto mais relevante a aprovação, em 2004, da nova Política Nacional de Assistência Social, que busca ampliar as garantias do acesso da população às ações. “Nesse momento, o escopo da assistência passa a não mais ser compreendido em função de públicos, mas em termos de segurança que essa política de proteção social deve garantir acolhida, renda, convivência, desenvolvimento de autonomia e sobrevivência a riscos.”

Segundo o relatório, em 2003, a mudança na estratégia de enfrentamento à pobreza e à miséria e a priorização do combate à fome implicaram, além da continuidade dos programas anteriormente desenvolvidos, a criação de novo programas sociais e a retomada da segurança alimentar, bem como o reconhecimento do direito à alimentação a toda a população, por meio da estratégia Fome Zero. A partir de 2004, de acordo com a publicação, as mudanças se aprofundaram, principalmente por conta da criação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que visa ao avanço da descentralização e à integração de diversas esferas do governo em torno de um projeto de política pública.


Mas o estudo revela a fragilidade da gestão municipal: “Em que pese o esforço em prol da adesão dos municípios à nova sistemática, a incipiente organização desta política em grande parte dos municípios, a forte presença da filantropia e a ainda expressiva influência da política-partidária nos espaços locais apontam para séries dificuldades no processo de construção do SUAS.”


O relatório enfatiza que, de qualquer forma, as iniciativas implicaram movimento significativo de alteração da política de Assistência Social. “Ela deixou de se entendida como residual e localizada, ampliando-se, entendida como direito de toda a população, visando a garantir serviços e benefícios em todo o território nacional”.


DESAFIOS

Segurança Alimentar e Transferência de Renda também passaram por processo similar ao da Assistência nos debates públicos e definições políticas. “Ambas emergem no contexto das políticas públicas brasileiras apenas durante a década de 90, mas somente nos anos 2000 se consolidam”, conta a publicação. Na visão dos autores, a sociedade brasileira recusou, durante muitas décadas, o reconhecimento do direito da população pobre à garantia de um padrão mínimo de bem-estar, até mesmo em relação à alimentação.


O trabalho também lembra a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), em 1996, e sua reativação em 2003, quando o combate à fome ganhou prioridade na orientação do Governo Federal. O relatório mostra ainda que o Programa Bolsa Família, criado em 2003, é um progressivo reconhecimento de que o País necessita efetivar uma política de renda mínima”. Na avaliação dos autores, a unificação de programas de transferência de renda realizada pelo Bolsa Família representa um avanço no sentido da organização de uma rede de proteção social que cubra os grupos mais pobres.


Outros pontos destacados no estudo são o apoio à produção da agricultura familiar e a implantação dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS). Também ressaltam a realização das conferências de Assistência Social como importante espaço de democratização e participação popular. Pelo estudo, os principais desafios apontados para o setor são a consolidação institucional das políticas, a centralidade na família, o financiamento e o cofinanciamento, a universalização da proteção social e a questão do trabalho em relação à proteção social. “São temas que se impõem para a agenda dos próximos anos e de cujo enfretamento dependerá, em grande medida, a evolução da proteção social brasileira”, finaliza.


O QUE MAIS O ESTUDO DO IPEA MOSTRA


Mais jovens estudando: Em 1995, nas famílias com rendimento familiar de até um quarto do salário mínimo, 54,7% dos jovens estavam apenas estudando. Em 2005, este número passou para 75,1%.


Redução da desnutrição infantil: O índice de crianças entre um e dois anos de idade desnutridas reduziu de 19,8%, em 1999, para 7,7%, em 2004. Na faixa etária até um ano, a taxa caiu de 10,1% para 3,6% no mesmo período. De acordo com a publicação, “as melhorias observadas nos indicadores sociais apresentados decorrem de um conjunto variado de processos, podendo ser citada a ampliação de acesso aos serviços de educação, saúde e saneamento e também às políticas de salário mínimo, de transferência de renda e de acesso aos alimentos




Políticas Públicas e redução da pobreza

Políticas Públicas e redução da pobreza




O direito à seguridade social inscreve-se nos direitos sociais de cidadania e, como tal, estaria ainda em processo de construção no Brasil. A passagem do estado liberal para o estado social resultou no esgarçamento dos valores liberais (individualismo, igualdade, liberdade). Para tanto precisaríamos de políticas publicas que reduza o estado de pobreza do nosso país. O objetivo deste texto é discutir o tema: Políticas sociais assistencialistas, para a redução da pobreza, com foco nos distintos programas assistencialista que possuem o governo para os dias de hoje. Para mim existe uma disparidade entre esses programas, ou seja, fazer uma distinção deste programas, como finalístico (transferência de renda) e o programa não-finalístico (apoio a iniciativas de geração de emprego e renda, que para mim este sim seria o uma conquista, do governo atual e para o futuro.



O direito à seguridade social inscreve-se nos direitos sociais de cidadania e, como tal, está ainda em processo de construção no Brasil. A passagem do Estado liberal para o Estado Social resultou no esgarçamento dos valores liberais (individualismo, igualdade, liberdade, dentre outros). Para alguns economistas esse feito seria formulado em 1601, 1832 e 1834 bem como o Statute of Artificiers de 1563, que na época apresentavam, ambigüidade de propósitos, ou seja, alivia a pobreza evitando a condição de miserável (aquele que recebia proteção sob a condição de perda direitos de cidadania) e, ao mesmo tempo, preservavam uma classe laboriosa (a dos pobres, necessária à criação de uma sociedade de mercado). Devido a estratégias e políticas de caráter integrador, no final do século XXVII, esse país enfrentou enfrentaria a revolta dos operários com a destruição das máquinas e mais tarde, em 1834, a sua força organizativa que se fazia necessária com a fundação do “Sindicato Geral Nacional Consolidado – Trades Union” (MARTINELLI, 1989:37).






Quanto a Desigualdade social no Brasil, reconhecemos que uma questão-chave no ambiente socioeconômico do país se situa no lado distributivo – base geradora de iniqüidade social. A desigualdade social no Brasil e algo fora do comum, apesar de fortes raízes, que necessitam ser sempre consideradas na elaboração de expectativas quanto a resultados imediatos de programas sociais. O alcance de resultados importantes em termos de redução da pobreza, em ritmo mais acelerado que o que se tem verificado no Brasil, depende diretamente de ações para a neutralização ou eliminação de fatores geradores de desigualdades na esfera econômica da produção e de fatores geradores de sancionadores de desigualdades no mercado de trabalho, no sistema educacional e na execução de política sociais. Para tanto seria importante que o governo ter uma nova reforma social e um mapeamento da desigualdade do Brasil, apesar disso se claramente visto em todas as capitais desse continente. O perfil das desigualdades no Brasil toma nova dimensão qualitativa a partir dos anos 80., quando se esgota o ciclo de crescimento iniciativo nos anos 30. Duas constatações que se tornariam evidentes a partir da longa crise de estagnação e inflação iniciada na década de 1980. A primeira é que o crescimento, nos termos em que se processava, não erradicava a pobreza e ainda gerava ou aprofundava outros desequilíbrios. A segunda é que a ausência de crescimento e um relativamente elevado nível de desemprego e de precarização da relações de trabalhos ,combinados com altas taxas de inflação, davam à pobreza e à desigualdade uma dimensão ainda maior. Diante do cenário global contemporâneo, evidenciamos a pobreza e a desigualdade fazendo-se presente no nosso cotidiano sob a ótica de um pensamento hegemônico e socialmente dominante oriundo das ajudas assistencialistas praticadas por empresas, entidades filantrópicas e pessoas voluntárias. Estes, a partir do emprego da filantropia, buscam soluções, a nosso ver, ilusórias, para a erradicação destes entraves na promoção do desenvolvimento social. Nesta perspectiva, como romper com uma visão assistencialista, objetivando vencer a pobreza e a desigualdade? Primeiramente, podemos declarar que políticas públicas internas eficientes e eficazes, capazes de produzir efeitos maximizadores no bem-estar da população e, conseqüentemente, minimizar os problemas sociais, é de suma importância para favorecer a integração do indivíduo ao Estado e ao gozo dos direitos que lhe permitam participar da vida pública. Em outras palavras, desenvolver a criticidade do indivíduo perante a sua realidade, reivindicando seus direitos e deveres enquanto um agente transformador do meio do qual pertence. Neste sentido, todos os cidadãos estariam aptos a lutar pela sua melhoria social, tornando desnecessárias as ajudas assistencialistas. Para mim a inclusão só estará clara quando novas políticas públicas forem reformuladas, e tenham seu foco realmente na erradicação da pobreza, só assim vamos manter uma paridade entre desenvolvimento e cidadania, fazendo assim com que melhorem a educação, Saúde, e o principal emprego, acho desnecessária que o governo tenha vários programas de ação social, onde os mesmo não tenham acompanhamento, e mesmo assim quando existe acompanhamento se usar uma maquiagem e pessoas que não precisam se assistida pelo governo e as que precisam ficam fora do programa.





Para o governo hoje existe programas que servem de facilitadores para e erradicação da pobreza no Brasil. No atual contexto brasileiro, dado o lugar que ocupa o mercado de trabalho como o núcleo onde se materializam desigualdades sociais, ganha importância na análise de políticas de redução da pobreza os programas sociais com foco na geração de emprego e renda – base para a inclusão social – e na qualificação da força de trabalho. Para o governo qual seria a melhor forma de inclusão social? Além disso, outra medida favorável na diminuição da pobreza e desigualdade faz-se pela implementação de políticas educacionais de qualidade. A partir dos conhecimentos transmitidos pelo professor, somos levados a questionar uma determinada realidade através da identificação dos problemas da esfera social, na tentativa de buscar soluções possíveis. Assim, seríamos todos capazes de preconizar o surgimento de uma nova sociedade sem o abismo econômico entre os sujeitos, o que propiciaria a melhora da qualidade de vida, isenta de caridades que hoje suprem a sobrevivência de milhões de pessoas ao redor do globo. É fácil para o governo da assistência embora o mesmo tenha sim que da assistência que para mim seria diferente: a) primeira mente o governo deveria fornece mão de obra qualificada,; b) formação de qualidade, escolas com boas infra-estruturas, saúde de qualidade; c) e implanta forma de diminuição de impostos para novas indústria, assim facilitaria a entra de pessoal para a formalidade, e ainda digo mas se o governo investir esses valores em indústrias, para população facilitaria a vida de muito e o próprio governo teria lucratividade para sim próprio, infelizmente o melhor que o governo pode dá, e uma bolsa família, para que as mesmo se mantém de forma aventureira, passando 30 dias com apenas 100, ou 50,00 reais que vem do então bolsa família, fazendo assim o aumento do crescimento populacional do Brasil e havendo maiores índices de criminalidades. O problema de assistencialismo no Brasil e algo assustado, o Brasil joga fora hoje ao bizarro. A dimensão e o caráter que hoje assumem as políticas públicas de geração de emprego no Brasil são certamente inéditos. A baixo iremos vê alguns índice do Bolsa família no estado de alagoas






Desta forma o governo vem investido montanhas de milhões de reais em nosso estado, havendo assim um ritmo acelerado de desemprego, o que leva o estado a piores índices de desemprego. Apesar de grandes investimentos a qual o estado vem passando isso poder melhora esse quadro de miséria a qual passa nosso estado. Segundo o Jornal A “GAZETA DE ALAGOAS: Alagoas tem maior taxa de emprego no Brasil Estado teve a maior taxa de crescimento de empregos formais de todo o País no último mês de outubro.taxa nacional foi de 0,20%, enquanto a do Estado ficou com um crescimento de 2,50%. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego e foram divulgados nesta quinta-feira (20). Em todo o País, detalhou o ministro Carlos Lupi durante a apresentação dos números, houve a geração de 61.401 novos empregos, contra uma média de mais de 200 mil registrados nos meses anteriores, o que representa uma desaceleração de 0,20%.


Considerando que essa desaceleração de outubro de 2008 foi mais expressiva que as ocorridas nos meses de outubro dos últimos anos, esse resultado pode significar uma reavaliação do empresariado sobre os efeitos da recente crise financeira internacional.


"O resultado continua sendo positivo e ao fim de 2008 teremos o melhor resultado da história da geração de empregos no Brasil, com mais de 2 milhões de vagas criadas. Vale lembrar que entre janeiro e outubro deste ano os Estados Unidos perderam 1,2 milhão de postos de trabalho", destacou o ministro Carlos Lupi.


Em Alagoas, de acordo com o Caged, o aumento na criação de empregos no mês de outubro ocorreu por motivos sazonais relacionados às atividades das empresas de açúcar e álcool. Foram gerados 6.388 empregos, uma alta de 2,50% com relação ao mês anterior. Foi a maior taxa de crescimento do País e o melhor resultado do Nordeste. No acumulado do ano, houve acréscimo de 6.884 postos de trabalho celetistas (+2,70%) e nos últimos 12 meses verificou-se aumento de 1,73% no nível de empregos ou 4.438 postos de trabalho”. Fonte: Secretária Estadual do Trabalho. Assim o governo aumenta o índice de desenvolvimento sustentável, elevando o prestígio do estado em rede nacional muita coisa ainda precisa se modificada, mas estamos indo no caminho certo, mas pra isso precisa muita coisa ser reorganizada, e principalmente as política sociais precisam se modificarem para novas perspectivas de erradicação da pobreza

Referências


Política social preventiva: desafios para o Brasil / Dieter W. Benecke, Renato Nascimento (orgs.). Rio de Janeiro


http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/menu_superior/relatorios_e_estatisticas/relatorios-e-estatisticas


http://www.trabalho.al.gov.br/noticias/alagoas-tem-maior-taxa-de-emprego-no-brasil







sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A legalização da maconha





A legalização da maconha


É sabido que a maconha é a iniciação para o uso de drogas mais pesadas


Texto de Sebastião Palmeira



Sebastião PalmeiraHá no Brasil um movimento que visa legalizar o uso da maconha, cujo nome científico é Cannabis Sativa Lineu, uma planta com propriedades alucinógenas, que causa dependência física e psíquica, levando os usuários à agressividade criminosa e doentia capaz de levá-los a prática dos mais hediondos crimes.



É sabido que a maconha é a iniciação para o uso de drogas mais pesadas, como a cocaína e outras ainda mais agressivas e destruidoras.



A família brasileira e, por extensão toda a sociedade, vem sendo desagregada e destruída pelas drogas, que leva filhos a roubarem, agredirem e matarem os próprios pais. E ainda existem autoridades, parlamentares e até um ministro de Estado, que defende essa legalização perversa, irresponsável e criminosa.



Os defensores dessa tese deveriam ser expurgados dos cargos e da vida pública para servir de exemplo aos incautos e mostrar que somos um povo decente, honrado e temente a Deus. Não venham com essa conversa de que estamos em uma democracia e que tudo é permitido. Essa não! Os eleitores devem ficar atentos e excluírem nas próximas eleições tais legisladores.



O governo brasileiro deve encetar com urgência uma guerra contra as drogas, adotando todos os meios para combater essa praga e os respectivos traficantes, usando as forças armadas para fechar as nossas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, por onde entram tais drogas e saem os automóveis roubados no Brasil e vendidos abertamente no Paraguai onde são emplacados e legalizados, sem falar que por essas mesmas fronteiras entram as armas contrabandeadas que são compradas pelos traficantes.



O Brasil vive uma guerrilha urbana e negar isso é hipocrisia. É um verdadeiro crime de omissão, prevaricação e outras coisas mais.



Quando o mundo combate o tabagismo; quando fumar se torna uma questão de saúde pública e é proibido praticamente em todos os países civilizados, aqui no Brasil há mentes doentias e pseudo-sociólogos, propondo a legalização da maconha e até mesmo o plantio para uso próprio. Cabe a sociedade civil organizada, os pais, e as igrejas de todo o Brasil, unirem-se para combater essa praga terrível e devastadora.



Lembrem-se de que a família é a célula mater de um povo e de uma nação e, sem família não há Pátria.



Não podemos esquecer o episódio de um jovem drogado que matou uma senhora de idade avançada, que fazia sua caminhada matinal no calçadão da Ponta Verde, matando-a a chutes, murros e pontapés.



O padre Cícero do Juazeiro já profetizava, que após o ano 2000, “Cairiam os muros e levantar-se-iam os monturos.” A profecia está concretizada no que vemos, vivemos e presenciamos nos dias atuais.



Vocês que lutam pela legalização da maconha, deveriam lutar contra a fome, o desemprego, a mortalidade infantil, o analfabetismo, a violência e outras mazelas que assolam o nosso País. A legalização da maconha só vai aumentar a criminalidade, já altíssima e intolerável, além de ser um mau exemplo para as nossas crianças, jovens e adolescentes, indo dificultar o ensino, a aprendizagem e a disciplina nas escolas e nas universidades.



A maconha, se legalizarmos, iremos transformar o Brasil em um País de drogados e criminosos.



* É Advogado Criminalista, Procurador de Estado, Diretor Geral da Seune e membro da Academia Maceioense de Letras.

Lula pede e Lessa deve se candidatar novamente ao Governo




Ex-governador se reuniu com Lula, ministro Lupi e Rosiana Beltrão

Lessa diz que ainda precisa se reunir com chapão



Lessa diz que ainda precisa se reunir com chapãoO ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), deve disputar novamente as eleições deste ano, para ser governador do Estado. Segundo ele, o pedido foi feito pelo próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), em reunião realizada ontem à noite.






A reunião aconteceu em Brasília, com o presidente, o ministro e presidente de honra do PDT, Carlos Luppi, e a ex-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos, Rosiana Beltrão.






De acordo com Lessa, Lula chegou a oferecer a ajuda para campanha, com a vinda de nomes nacionais para Alagoas, como do presidente de honra do PDT, Carlos Luppi, do presidente nacional do PT, Eduardo Dutra e da própria Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência da República.






Lessa deve agora se reunir com outras lideranças do 'chapão' para apresentar seu nome ao Governo do Estado (João Lyra e Fernando Collor de Mello - PTB, o senador Renan Calheiros - PMDB, além do atual prefeito de Maceió, Cícero Almeida -PP, entre outras lideranças).






Ronaldo Lessa foi governador de Alagoas entre os anos de 1999 a 2006. Ele saiu candidato ao Senado em 2006 e acabou perdendo para o ex-presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello.

Partido de Heloísa Helena racha com o PV e apresentará candidato puro-sangue à Presidência

Com isso, Heloísa Helena deve lançar seu nome ao Senado



19:37 - 21/01/2010



Josenildo Törres



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Heloísa Helena (E) desejava apoiar Mariana Silva (D) à Presidência da República



Heloísa Helena (E) desejava apoiar Mariana Silva (D) à Presidência da RepúblicaMesmo contra a vontade da presidente nacional Psol, vereadora de Maceió, Heloísa Helena, a sigla rachou com o Partido Verde (PV) e deve apresentar candidatura puro-sangue à Presidência da República. A informação foi confirmada ao Tudo na Hora pela Assessoria de Imprensa do partido, ao revelar que o pré-candidato cotado é Martiniano Cavalcanti, que dirige a Fundação Lauro Campos e presidente do PSOL de Goiás.







A decisão significa que a senadora do PV, Marina Silva, não receberá mais o apoio do Psol, como estava sendo cogitado. Outra conclusão é de que Heloísa Helena deve mesmo lançar sua candidatura ao Senado da República por Alagoas, lutando para voltar a assumir o cargo que ocupou por oito anos consecutivos.







A decisão da Executiva nacional do Psol, foi remetida em nota oficial à redação do Tudo na Hora, no início da noite desta quinta-feira. Assinam o documento, a presidente do partido, Heloísa Helena; a deputada gaúcha, Luciana Genro e presidentes dos Diretórios Estaduais, a exemplo do alagoano Mário Agra.



TNH Celular

Estudo aponta o Brasil como a 5ª economia mundial em 2030

PIB dos sete principais países emergentes superará o do G7 em 2020.

Motor do fortalecimento do E7 é o rápido crescimento da China.



Do G1, em São Paulo

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The Economist aponta Brasil entre as cinco maiores economias até 2024

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O Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2030, pelos cálculos da consultoria PricewaterhouseCoopers, divulgados na quinta-feira (21), em Londres. Até lá, o país terá ultrapassado gigantes como Alemanha, Reino Unido e França.



Os prognósticos econômicos indicam ainda que até 2020 o Produto Interno Bruto (PIB) do grupo de sete maiores emergentes - chamado E-7 e formado por China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia - será maior do que o do G-7. Cinco das dez maiores economias, até 2030, serão países hoje tidos como emergentes.



O relatório leva em consideração o ritmo de crescimento e a valorização média das moedas de cada país para traçar perspectivas de médio e longo prazos. Para a PricewaterhouseCoopers, E-7 e G-7 terão pesos equivalentes por volta de 2019. A diferença de riquezas vem caindo - em 2000, o PIB dos sete países mais ricos do mundo era o dobro dos países hoje considerados emergentes pela consultoria - e, este ano, deve sofrer sua maior redução: 35%.



Após a ultrapassagem, a distância seguirá aumentando: em 2030, o E-7 será 30% mais rico que Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália (G-7).



"Em 2030, nossas projeções sugerem que o top 10 global do ranking de PIB terá a liderança da China, seguida dos Estados Unidos, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Alemanha, México, França e Reino Unido", afirmou o relatório, assinado pelo diretor de Macroeconomia da PwC, John Hawksworth.



Entre os reposicionamentos, três chamam mais atenção: a China, que ultrapassa os EUA, a Índia, superando o Japão, e o Brasil deixando para trás todos os gigantes europeus. Outra constatação do estudo é que a economia indiana crescerá mais rápido que a chinesa na década de 20. "A influência do E-7 já é enorme e esta análise mostra que a questão não é se o E-7 ultrapassará o G-7, mas quando", explicou Ian Powell, economista da PwC.



"O motor do fortalecimento do E7 é o rápido crescimento da China. Apesar de esperarmos que este crescimento se desacelere progressivamente nos próximos 20 anos, a China provavelmente destronará os Estados Unidos e ocupará o lugar de primeira economia mundial por volta de 2020", explica o estudo da PwC.



A distância entre o G7 e o E7 se reduzirá a 35% este anos e desaparecerá totalmente no final da década, segundo os cálculos da consultora.



Com informações da Agência Estado e da France Presse

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

CIÊNCIA POLÍTICA: ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS

CIÊNCIA POLÍTICA: ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS
PODER. O conceito de poder varia no tempo e em função da corrente de pensamento abraçada pelos diferentes autores. A fim de exemplificar a complexidade de que se reveste o conceito, são referidos, a seguir, alguns posicionamentos que inspiraram toda uma série de teorias em ciência política.


Nicos Poulantzas, a partir de Marx e Lênin, e da teoria da luta de classes, chama de poder “a capacidade de uma classe social de realizar os seus interesses objetivos específicos”. É uma definição corrente entre os adeptos da teoria política marxista.


Para Lasswell, poder é “o fato de participar da tomada das decisões”. Essa visão do poder tem sido corrente para todas as teorias de decision-making process, e é criticada pelo fato de apresentar-se como uma concepção muito voluntarista do processo de tomada de decisões.


Max Weber conceituou poder como sendo “a probabilidade de um certo comando com um conteúdo específico ser obedecido por um grupo determinado”. A concepção weberiana de poder parte da visão de uma sociedade-sujeito, resultado dos comportamentos normativos dos agentes sociais. Do conceito de Weber sobre o poder emergem as concepções de “probabilidade” e de “comando específico”.

Talcot Parsons, partindo da concepção funcionalista e integracionista do sistema social, definiu o poder como “a capacidade de exercer certas funções em proveito do sistema social considerado no seu conjunto”.


POLÍTICA. A palavra política é originária do grego pólis (politikós), e se refere ao que é urbano, civil, público, enfim, ao que é da cidade (da pólis). É uma forma de atividade humana relacionada ao exercício do poder. No dizer de Julien Freund, é “a atividade social que se propõe a garantir pela força, fundada geralmente no direito, a segurança externa e a concórdia interna de uma unidade política particular...”. Essa possibilidade de fazer uso da força distingue o poder político das outras formas de poder.


CIÊNCIA POLÍTICA. Segundo Norberto Bobbio, entende-se por ciência política “qualquer estudo dos fenômenos e das estruturas políticas, conduzido sistematicamente e com rigor, apoiado num amplo e cuidadoso exame dos fatos expostos com argumentos racionais. Nesta acepção, o termo ‘ciência política’ é utilizado dentro do significado tradicional como oposto à ‘opinião’”.


Gaetano Mosca a definiu como o estudo da formação e organização do poder. Ele entendia que a ciência política desenvolveu-se muito, a partir do século XIX, como resultado da evolução das ciências históricas. Em conseqüência, o método da ciência política era o de recolher o maior número possível de fatos históricos, a partir do estudo das várias civilizações. O cientista político, para Mosca, deveria conhecer muito bem a história de toda a humanidade. Sobre o objetivo da ciência política, Mosca afirmou que era estudar as tendências que determinam o ordenamento dos poderes políticos, examinar as leis reguladoras da organização social, descobrir e conhecer as leis reguladoras da natureza social do homem e do ordenamento político das diversas sociedades humanas. Quanto ao problema central a ser investigado pela ciência política, Mosca colocava o problema do poder.


ESTADO. A definição de Bluntschli, segundo a qual Estado é a nação politicamente organizada, tornou-se trivial. Para compreender essa assertiva, porém, é preciso discernir entre Estado, país, povo e nação. Por país entende-se o território que abriga uma coletividade. A população, elemento humano do Estado constitui o povo. Mas, como ensina Darcy Azambuja, em seu conhecido livro Teoria Geral do Estado, não é sempre que o povo constitui uma nação. Esta só aparece quando um grupo de indivíduos, tendo a mesma origem ou religião, ou os mesmos interesses econômicos e morais, mas principalmente um passado comum de tradições, unem-se em torno de ideais e aspirações comuns. Os judeus, mesmo quando inexistia o Estado de Israel, nunca deixaram de constituir uma nação, embora fisicamente dispersos, espalhados por muitos países. É um dos mais palpáveis exemplos de que a nação pode sobreviver mesmo sem o Estado. A Iugoslávia, ao contrário, mostrou ser um Estado dividido em raças, religiões e interesses divergentes. Com a morte de Tito, e em face das transformações ocorridas no Leste europeu, desde o fim do socialismo real, essas nações despontaram, e ainda hoje lutam para obter, cada uma, o seu próprio Estado.


GOVERNO. Conjunto de pessoas que governam o Estado. Historicamente, o governo existiu antes do Estado. Já na Antigüidade, assim como na Idade Média, é possível encontrar um governo das cidades-Estado e dos impérios feudais como formas pré-estatais de organização política. O Estado, propriamente dito, tem sua origem na Idade Moderna. Na interpretação que fez Darcy Azambuja do livro La Démocratie, de Rodolphe Laun, os governos podem ser classificados quanto à origem, quanto à organização e quanto ao exercício do poder. O quadro abaixo dá uma visão sintética dessa interpretação.


Quanto à origem governos democráticos ou populares

governos de dominação
governos de fato

Quanto à organização hereditariedade

governos de direito eleição

Quanto ao exercício absolutos

constitucionais



SOBERANIA. Poder de supremacia que o Estado tem sobre os indivíduos e os grupos que forma sua população, e de independência com relação aos demais Estados. Sem soberania inexiste Estado. Para alguns autores, a soberania não seria propriamente um poder, mas uma qualidade superior do poder do Estado. Normalmente, a soberania é entendida como tendo um caráter interno e outro externo. A soberania externa tem a ver com a independência e as relações de igualdade entre os Estados. A interna com o poder de normatizar as relações que se estabelecem entre os indivíduos e grupos que habitam o interior do Estado.


Das doutrinas sobre a soberania, destacam-se as teocráticas e as democráticas. Segundo a teoria do Direito divino sobrenatural, Deus é a origem do poder, e por sua vontade é que existe uma hierarquia separando governantes e governados. Referendada historicamente pela Igreja Católica Apostólica Romana, ao longo da Idade Média, esta teoria enfatizava o fato de que, sendo indicados pelo próprio Deus para exercer o poder aqui na Terra, os reis exerciam o poder por delegação dos céus, e prestavam contas de seus atos diretamente a Deus.

Na Idade Moderna surgiram as doutrinas democráticas, que conferem ao povo ou à nação o poder soberano. Estas teorias tornaram-se conhecidas a partir das obras de Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).


Para Thomas Hobbes, a humanidade, antes de criar a vida em sociedade, vivia em anarquia e violência, no chamado estado de natureza, no qual inexistia qualquer hierarquia entre os indivíduos. Essa vida “solitária, sórdida e brutal” terminou quando a humanidade criou, por meio de um contrato, a sociedade política. A soberania, que estava dispersa, residindo em cada indivíduo, passou a ser exercida pela autoridade criada em razão daquele contrato político. Hobbes entendia que o contrato que criou o Estado não poderá ser jamais revogado, sob pena de a humanidade retroceder ao estado de natureza. O Estado, tal como o representou Hobbes, é um monstro alado – Leviatã – que “abriga e prende para sempre o homem”. Na interpretação de Darcy Azambuja, “Hobbes partiu da doutrina da igualdade dos homens e terminou preconizando o absolutismo do poder e, nesse sentido, suas idéias se acham no extremo da concepção da soberania, que ele considera ilimitada, colocando a política por cima da moral e da religião”.


O ponto de partida de John Locke difere do de Hobbes. No estado de natureza não teria havido caos, mas ordem e razão. Ele concorda com Hobbes que um contrato entre os indivíduos criou a sociedade política, mas o Estado surgiu para assegurar a lei natural, bem como para manter a harmonia entre os homens. Neste sentido, diz Locke, inexiste qualquer cessão dos direitos naturais ao Estado. Por isso, este deve ser exercido pela maioria, bem como respeitar os naturais direitos à vida, à liberdade, à propriedade.

Foi Locke quem primeiro mencionou os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como três funções essenciais do Estado. Em termos de preferência, Locke defendia a democracia como forma de governo, aceitando como boa a monarquia na qual a o Poder Legislativo, órgão supremo do Estado, fosse independente do rei.
Jean Jacques Rousseau também partiu do princípio de que houve um estado de natureza. Este, porém, não era nem o caos de Hobbes e nem apenas ordeiro e racional, como queria Locke. Mais do que isso, no estado de natureza os homens eram livres e felizes. Foi o progresso da civilização, com a divisão do trabalho e da propriedade que criaram ricos e pobres, poderosos e fracos. Assim, a sociedade política surgiu como um mal necessário, para manter a ordem e evitar o recrudescimento das desigualdades. Ao criar o Estado, mediante um contrato social, o indivíduo cedeu parte de seus direitos naturais para que fosse criada uma entidade superior a todos, detentora de uma vontade geral. Ao participar das decisões tomadas pelo Estado, porém, o indivíduo recupera a parcela de soberania que transferiu por força do contrato social que formou a sociedade política.



Para Rousseau, o titular do poder de Estado é o povo.

As teorias de Hobbes, Locke e Rousseau exerceram grande influência, não só em suas. Hobbes inspirou o poder absoluto dos reis. Locke teve suas idéias aplicadas nas declarações de independência e nas Constituições dos Estados Americanos, bem como na formação do pensamento democrático e individualista. Rousseau deu o fermento ideológico da fase radical da Revolução Francesa.




FINALIDADE DO ESTADO. As discussões a respeito do Estado incluem o debate sobre se ele é um fim em si mesmo, ou é o fim do homem e da sociedade, ou é um meio para que o homem alcance a felicidade. Darcy Azambuja concorda com Ataliba Nogueira, ao dizer que o Estado “é um dos meios pelos quais o homem realiza o seu aperfeiçoamento físico, moral e intelectual, e isso é que justifica a existência do Estado”.


No plano jurídico, o fim do Estado é a promoção do bem público, entendendo-se por esta expressão os meios e elementos indispensáveis a que a população possa satisfazer suas legítimas necessidades.

Dentre as doutrinas que tratam da finalidade do Estado, a abstencionista, também conhecida como do laissez-faire, ligada à corrente de pensamento econômico dos fisiocratas, reserva ao Estado a função única de manter a ordem (interna e externa), deixando praticamente tudo à livre iniciativa. Nesse Estado de tipo gendarme, poucas devem ser as leis e normas regulamentadoras, e livre o direito de propriedade.


A doutrina socialista, ao contrário, quer o Estado como não só como representante da coletividade, mas atuante em todos os ramos de atividade. Os mais radicais consideram que o Estado deve deter a propriedade de tudo o que interessa ao conjunto da população, distribuindo a cada um segundo critérios fixados a partir do Estado. O objetivo é o fim da propriedade privada e, no limite, do próprio Estado.


Uma terceira doutrina, que poder-se-ia denominar eclética, busca um meio termo entre o laissez-faire e o socialismo. O lema dos ecléticos, segundo G. Sortais, seria: ao invés de fazer tudo, como defendem os socialistas, ou de fazer o mínimo, como pregam os abstencionistas, melhor é ajudar a fazer. Os ecléticos querem o Estado realizando competências de caráter supletivo, só fazendo aquilo que os indivíduos não podem fazer. A corrente eclética admite a parceria entre o Estado e os particulares, em áreas como o ensino e a assistência social. Dessas idéias, e da crítica ao Estado forte dos socialistas e ao Estado mínimo do laissez-faire, emerge a proposta do Estado regulador e fiscalizador.



OS PODERES DO ESTADO. A História nos ensina que, nas sociedades primitivas, o poder de Estado concentrava-se em uma pessoa ou em um grupo. As atividades eram exercidas por intermédio de um só órgão supremo, que cuidava da defesa externa, da ordem interna, do controle dos bens e serviços de caráter coletivo, inclusive das funções religiosas. A extensão territorial e a diversificação crescente das atividades, dentre outros fatores, exigiu uma desconcentração do poder, cujo exercício começou a ser dividido entre várias pessoas.

Desde a antigüidade, a função de julgar foi sendo delegada a funcionários do rei. Ao longo da Idade Média, outras funções foram se especializando, e órgãos especiais surgiram para desempenhar essas funções. O caso da Inglaterra é exemplar. A função legislativa, por um processo de negociação e lutas, passou das mãos do rei para uma representação autônoma dos cidadãos: o Parlamento.



Aristóteles, discorrendo sobre a organização do Estado, ressaltou três funções principais: a deliberante, exercida pela assembléia dos cidadãos, que ele reputava como o verdadeiro poder soberano; a da magistratura, exercida por cidadãos designados pela assembléia para realizar determinadas tarefas; e a judiciária.



O tema passou despercebido por outros escritores, até que, no século XVIII, Locke o retomou, fornecendo os elementos de que se serviria Montesquieu, mais tarde, para elaborar sua famosa teoria que dividiu os Poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário.






REGIME DE GOVERNO. As diferentes relações que se estabelecem entre os Poderes Executivo e Legislativo resultam em distintos regimes representativos, a saber: governo parlamentar, governo presidencial, governo diretorial.



O governo parlamentar resulta não propriamente de um equilíbrio entre os Poderes Legislativo e Executivo, mas da confiança de que este goza junto ao primeiro. Também conhecido como governo de gabinete, ou parlamentarismo, este regime pressupõe que o gabinete (Executivo) seja formado com pessoas escolhidas entre o partido que tem a maioria no Parlamento. O modelo surgiu na Inglaterra, depois de uma longa evolução histórica. No Brasil, foi adotado no II Reinado, com D. Pedro II, e entre 1961 e 1963, com João Goulart, no curto interregno que vai da renúncia de Jânio Quadros às vésperas do golpe militar de 1964. No parlamento, o Chefe do Estado é o rei ou o presidente da República, enquanto que o Chefe do Governo é o Primeiro-Ministro. Nem a legislação, nem a doutrina, dão conta das formas que o parlamentarismo assumiu na prática, nos diferentes países. O parlamentarismo adotado na Inglaterra, na França, em Portugal, diferem muito quando analisados comparativamente.



O presidencialismo, ou governo presidencial, surgiu nos Estados Unidos, em 1787. A teoria estabelece que é presidencialista o regime em que o Executivo predomina sobre o Legislativo, lhe é completamente autônomo.





KANT E A QUESTÃO DA LIBERDADE – Os autores contemporâneos entendem a palavra liberdade em dois sentidos distintos. Do ponto de vista da doutrina liberal clássica, ser livre é poder agir sem qualquer impedimento por parte do Estado. Do ponto de vista da doutrina democrática, é a faculdade de obedecer tão-somente as normas impostas a si mesmo, pela auto-regulação. Em conseqüência, no Estado liberal a interferência do Poder Público é mínima, enquanto que, no Estado democrático, não são poucos os órgãos de autogoverno.

Ambos os sentidos dão, entretanto, à palavra liberdade, um significado comum, possível de ser compreendido por uma só palavra: autodeterminação. De fato, se cada um determina sua própria esfera de ação, livre das limitações do Estado, ou se o indivíduo (ou o grupo ao qual ele pertence) obedece somente as normas fixadas por ele mesmo (indivíduo ou grupo), nos dois casos o que ressalta é o aspecto comum da autodeterminação da própria conduta.



Retomando os dois pontos de vista do qual emergem os distintos sentidos da palavra liberdade, poder-se-ia afirmar que a doutrina liberal clássica dá ênfase ao poder individual de autodeterminação, ao passo que a doutrina democrática valoriza, sobretudo, a autodeterminação coletiva. Em outras palavras, a questão da liberdade é vista, na doutrina liberal, a partir do cidadão em sua individualidade, e na democrática, a partir do cidadão como membro de uma coletividade.



Em seu processo histórico de desenvolvimento, os Estados modernos se formaram a partir da integração, cada vez maior, das duas doutrinas. A idéia é a de que tudo o que o cidadão puder decidir por si deve ser determinado por sua própria vontade. E o que depender de regulação coletiva deve contar com a participação do cidadão, a fim de assegurar que a decisão tomada represente, em alguma medida, a expressão da vontade individual.





PENSAMENTO POLÍTICO DE KANT



Em sua obra, Kant emprega os conceitos de liberdade que haviam já aparecido em Montesquieu e em Rousseau. Ao dizer que liberdade “é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”, Montesquieu evocou o ponto de vista que mais tarde denominou-se de liberal (vide introdução, acima), enquanto que Rousseau foi um dos ideólogos da doutrina democrática. No Contrato Social, obra que o consagrou, Rousseau afirmou que liberdade é “a obediência à lei que nos prescrevemos”, querendo significar que, no âmbito do Estado, os cidadãos, coletivamente, devem formular as leis.



Kant, ao utilizar a palavra liberdade, deixa de distinguir claramente qual dos dois sentidos do termo está querendo empregar. Norberto Bobbio defende a tese de que Kant, “deixando crer, por meio de uma definição explícita, que emprega o termo no sentido de Rousseau (liberdade como autonomia, autodeterminação coletiva), não esclarece que a liberdade que invoca e eleva à posição de fim da convivência política é a outra – liberdade como ausência de impedimento, a liberdade individual”.



A considerar-se o ideal rousseauniano, o pensamento político de Kant é pouco democrático. Veja-se, a propósito, a seguinte passagem, extraída dos seus Escritos Políticos e de Filosofia da História e do Direito: “[o contrato originário...] é ...uma idéia simples da razão, mas que tem sua dúvida sua realidade (prática), a qual consiste em obrigar todo legislador a fazer leis como se devessem refletir a vontade comum de todo um povo e, em considerar cada súdito, enquanto cidadão, como se tivesse dado seu consentimento a tal vontade”. Logo, no Estado prescrito por Kant, a vontade coletiva não é, necessariamente, um fato institucional, mas uma ficção ideal.



Em termos de classificação das formas de governo em “boas” ou “más”, Kant chama de despotismo a má forma, e de república a boa. “República”, na linguagem kantiana, é sinônimo de governo “não despótico”, podendo ser tanto uma república quanto uma monarquia. Para Kant, os reis têm o dever de governar de “modo republicano”, quer dizer, o monarca deve “tratar o povo segundo princípios conformes com o espírito das leis de liberdade (isto é, leis que um povo de razão madura prescreveria), ainda que não lhe peça literalmente sua aprovação”.



Kant não poderia ser considerado um democrata. Por suas idéias, ele pode ser considerado, no máximo, um liberal moderado. Basta referir que, em sua opinião, o direito de votar e ser votado não deveria ser estendido a todos, mas tão-somente aos que houvessem conquistado já sua independência econômica. Assim, seu sistema eleitoral excluía da cidadania os trabalhadores.



O pensamento kantiano trouxe à tona a teoria do antagonismo. O progresso da humanidade, para Kant, consistia no desenvolvimento das faculdades naturais dos indivíduos. A natureza promove esse desenvolvimento ao gerar no ser humano sentimentos de vaidade, inveja, emulação, poder.



Essas inclinações naturais são incompatíveis com a convivência em sociedade, daí originando-se um antagonismo que jamais termina, porque se o homem quer a concórdia, a natureza prefere a discórdia, porque sabe o que é melhor para a espécie, e o melhor é o conflito.



Em conclusão, Kant inspirou a doutrina liberal. Sua filosofia concebia a história como sendo a história do progresso do direito como garantia da máxima liberdade individual.